Era verão e naquele dia estava uma linda manhã de sol em Aracaju. O cenário de mais um dia normal onde o vai-e-vem na cidade demonstrava a alegria das pessoas que pareciam comemorar sem sequer saber o que. Mas para elas o importante era comemorar, mesmo sem saber o que. Para mim no entanto, não haviam motivos para comemorações. Apesar de ter amadurecido precocemente, aquele período mostrou-me que o estado emocional é uma coisa, o espiritual e o psicológico são outra e que é preciso estar com saúde equilibrada nestes três pontos. Ter sido criado unicamente pela minha mãe tornou-me de certa maneira dependente da figura materna e consequente me fragilizou. Julgava-me preparado e confiante para enfrentar adversidades. Quando perdi minha mãe aos dezenove anos foi algo que jamais imaginei conseguir superar, mas consegui, pois foram seis anos de luta com ela gravemente doente e totalmente dependente de mim para tudo. Sua morte era para mim algo anunciado, teria que ocorrer mais cedo ou mais tarde e além disso, diante das fortes dores e do seu sofrimento, sua partida foi como um alívio para ela, apesar de ter sido muito difícil para mim.
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